Terça-feira, Junho 24, 2008

The Mist


Frank Darabont é um sujeito que dá para confiar.

Ele surgiu nos anos 90, junto com aquela leva de realizadores que fizeram os filmes que vão entrar para a história daqui a uma ou duas décadas, gente como Brian Synger, David Fincher, Sam Mendes, M. Night Shalamaian entre outros, gente eficiente no seu ofício de contar grandes histórias sem nunca esquecer o apelo humano, os John Ford e Billy Wider da nossa geração.

Estou exagerando? Não sei. Não esqueça da inevitável tendência humana em endeusar o passado como um apogeu de qualidades inatingíveis e desconsiderar o que há de bom no presente.

Bem, voltando a Darabont: ele tem uma ficha invejável, produz em ritmo lento, apenas quatro filmes em catorze anos de carreira, mas todos inesquecíveis.

Começou com Um Sonho de Liberdade, com Tim Robbins e Morgan Freeman, simplesmente espetacular, depois veio a obra-prima À Espera de um Milagre, o bom e otimista Cine Majestic, com Jim Carrey tentando alavancar a carreira de ator sério e por fim, a obra-prima The Mist neste 2008. Possivelmente seu melhor filme neste páreo duro de competidores.

The Mist se baseia em conto extremamente lovrecaftiano de Stephen King, seu roteiro pode ser resumido em uma linha: durante um nevoeiro em uma cidadezinha norte-americana, estranhas criaturas exterminam a população local, obrigando um pequeno grupo de sobreviventes a se abrigar dentro de um minúsculo e claustrofóbico mercadinho.

Não parece grande coisa, certo? Concordo. E é aí que mora a genialidade da coisa: com uma premissa que em mãos menos capazes poderia render mais um filme vagabundo qualquer de horror, Darabont subverte todas as expectativas ao criar um panorama assustador do comportamento humano em momentos de extrema adversidade, onde todos trazem à tona o que tem de melhor e pior.

Bom, mais coisas sobre o roteiro não vale a pena falar, para não estragar nenhuma surpresa, veja e descubra por si mesmo.

Mais do que um dos melhores filmes de horror que eu já vi, comparável com obras-primas como Bebê de Rosemary, O Exorcista e Coração Satânico, The Mist é um dos melhores FILMES que já vi, permanecendo vivo na mente do espectador mesmo depois que os créditos sobem e levantando questões incômodas demais sobre nós mesmos.

Fábio Ochôa

Segunda-feira, Junho 23, 2008

Mais Frazetta, mais Frazetta, mais Frazetta



Mais e mais Frazetta





Sexta-feira, Junho 20, 2008

Mais Frazetta




Terça-feira, Maio 27, 2008

A Fábrica

- Nosso turno de trabalho é do meio-dia à meia-noite.
Ele falou, brincando distraidamente com a caneta luxuosa entre os dedos, listando os infortúnios como se eles fossem regras absolutas, não exceções.
- Nossos fornos ambiente fazem 45 graus centígrados. - Ele continuou, seguro e convicto na escuridão de sua sala, “não é trabalho para os fracos”, sorriu quando complementou.
Concordei com a cabeça, com vago orgulho. Paciente.
- E a única vaga que dispomos no momento é carregar as válvulas. De 60 quilos cada uma.
- E não pagamos salário. Ou seja ...- só então olhou para mim, pela primeira vez. -Você teria que ser louco para trabalhar aqui. Doido de pedra, entendeu? – sorriu de novo. O mesmo sorriso sarcástico e enigmático.
Então, dito tudo isto, se recostou na cadeira e ficou em silêncio, estudando a reação que suas palavras, jogadas no ar, teriam.
Ele mostrava um óbvio gosto por este papel, estava estampado na segurança de sua pose, na posição relaxada de seus ombros. Quantas vezes já havia protagonizado esta cena?
No entanto, a pergunta ainda estava no ar e então ponderei.
Pensei em tudo que existia lá fora.
Nas ruas onde ninguém me conhecia.
Na casa onde ninguém me esperava.
Eu já sabia a resposta.
Apontei para meu olho esquerdo.
- Está vendo este olho?
Ele fez que sim com a cabeça. Pareceu genuinamente interessado. Tapei meu olho perfeito com a palma da mão.
- Eu não tenho olho esquerdo.
Ele riu bastante e me alcançou um charuto. Um momento de humanidade, “bem vindo à fábrica”, me disse, “louco de pedra”, acendeu o charuto, “doido do telecoteco”.
E me senti feliz por isso.
Antes de nos despedirmos, esticou a mão pedindo todos meus documentos, por favor. Os alcancei a ele.
E quando sai da sala, ele abriu a pequena portinhola que dava para a lareira, não fiquei para ver ele incinerar tudo o que eu era.
Aquele foi meu primeiro dia na fábrica.

A fábrica.
Era como o inferno.
O trabalho árduo, a temperatura insuportável, a comida péssima e a companhia ótima.
Ali, em um ambiente escuro e sufocado, trabalhávamos, orientados pelas luzes das fornalhas onde tudo era consumido e reconstruído à partir do fogo, derretendo e fundindo peças de outras vidas e outras pessoas, lixo descartado e jogado até nós, cadeiras, metal, antigas fotos, tudo que os depósitos traziam, tudo que era abandonado, tudo isso era nossa matéria-prima.
O primeiro processo era derreter tudo, era necessária atenção para manter todos os fogos acesos.
O segundo processo era fundir tudo em outras formas, formando engrenagens complexas, de beleza quase abstrata, tudo que era construído à partir dali, chamávamos de Máquina.
Tudo era destinado à Máquina. A grande Máquina sem começo nem fim, feita de restos, cujo propósito e utilidade nenhum de nós conhecia. Nosso papel era aquele: construir a Máquina. Nosso propósito, nosso porquê na vida.
O terceiro processo: ao fim de cada dia, exauridos e purificados, parar e admirar a Máquina.
E então, pegar as marretas e picaretas e destruir totalmente ela.

E assim a vida passava ali dentro.
Ali os homens se confundiam com as paredes e as sombras, sendo impossível de saber onde começava um e terminava outro. Ali, nossa própria hierarquia e nossa própria missão inútil de destruir e reconstruir a cada dia, era tudo.
Era nossa existência, sem pensamentos, sem dores, sem preocupações.
Apenas a pureza epifânica dos corpos se movendo até a exaustão.
Às vezes nevava entre a fuligem, neve que entrava pelas janelas abertas, flocos negros como carvão.
Era bonito.
E então eu voltava ao fogo que consumia a tudo como carvão.
Sem pensamentos.
Sem tormentos.
Sem dores.

Foi num dos dias que Augusto simplesmente enlouqueceu.
Algo quebrou, algo fez crás, blim, e crac dentro dele. Deixando ele maluco da silva. Doido do telecoteco.
Ele soltou as válvulas que carregava, barulhentamente elas rolaram pelo chão, alguns se esquivaram delas.
Ele ficou parado, ficou olhando o fogo um tempo imenso.
E então falou.
“É loucura” gritou.
“Isso não vale nada”
“Não tem porquê. Nenhum! Estamos jogando fora nossas vidas! Aqui dentro!”
Era óbvio que era loucura, idiota, óbvio! O que mais os loucos fazem? Seria possível ele ser louco a ponto de não ver isso?
- Loucos! Loucos! Vocês não vêem? – seguia ele gritando e chutando os pedaços da Máquina.
- Isto não serve para nada!
Os homens seguiam, levando material para fornalha, derretendo, moldando, fazendo.
- Lixo! Só lixo. Inútil!
Era claro que víamos.
Alguns –mais sensíveis- se incomodaram com estas constatações.
Ainda bem que Pedro agiu rápido, sabe-se lá o que poderia ter acontecido se ele não interferisse.
Alguns até poderiam –temo eu- terem ficado... Sãos.
Pedro apanhou a picareta.
Veio por trás de Augusto.
Bastou um golpe certeiro na nuca, para ele parar de falar. Seu corpo grande caiu ao chão, retorcendo-se curiosamente, trêmulo.
Pedro retirou a picareta com dificuldade do crânio, ela havia sido bem cravada,
Mais dois golpes e todos os movimentos cessaram.
Muitos homens já estavam parados vendo a cena.
Ajudei a erguer o corpo.
E ele foi para a fogueira no interior da máquina.
Nada era desperdiçado.
Tudo ia para a Máquina.
Tudo servia à Máquina.
O trabalho recomeçou.
E a vida seguiu como sempre.

No entanto, passou algumas noites e constatei que o que ele me disse me fez pensar. E isso era ruim. Muito ruim.
Incomodava.
Dava dor. Dor na alma. Ruim.
Éramos loucos. É, eu sei.
Mas tão loucos quanto as pessoas normais, que corriam, corriam para nada alcançar lá fora de nossas paredes. Não éramos diferentes, eles também construíam suas Máquinas a cada dia, para em seguida às destruírem, apenas davam outros nomes para ela.
Apenas não sabiam que suas Máquinas eram Máquinas.
Se existia alguma vantagem na loucura honesta que tínhamos aqui dentro, era esta.
Ela nada exigia.
Ela apenas aceitava.
Lá fora as pessoas continuavam, dia após dia pensando nas prestações que vão vencer, no sexo burocrático a esperar no fim do dia, sonhando em pequenos momentos no que poderiam ter feito e nunca fizeram. E a vida passa e a morte se aproxima, dia após dia e um dia ela as alcança e isso e tudo.
Aqui nós temos a Máquina. Construímos a Máquina, destruímos a Máquina e no dia seguinte construímos de novo e destruímos de novo e isso nos basta.
Sem nada mais para pensar.
Passo o dedo na minha testa e noto que há fuligem no meu rosto.
E neva lá fora quando o sono vem.
E por algum motivo qualquer, minha pequena alma dormente se sente loucamente feliz por isso.

Fábio Ochôa

Raul Aranha

Desenho feito especialmente para o aniversário do Raul.
Ele é o cidadão embaixo do sovaco aracnídeo.

Fábio Ochôa

Domingo, Maio 25, 2008

Jimmy Cuttlas

Antônio Armagedon, apesar do pseudônimo, é um dos melhores escritores com quem pude conversar, interagir e trocar idéias.
Gosto dos textos dele há bastante tempo, mais ou menos uns 4, 5 anos, segundo meus cálculos precários e a horas a bola de escrevermos algo em conjunto está rolando, temos um estilo semelhante, influências semelhantes e um saudável gosto pelo esquisito, bizarro e não-usual.

Alguns ensaios foram feitos neste sentido, um livro infantil bastante esquisito, um site de contos fechados, uma passagem pelos Defensores, mas a vida e as circunstâncias (sempre elas) acabava levando um pra cada lado.
Pois bem, a pouco tempo, Antônio passou por uma encrenca braba de saúde, e quando digo braba, quero dizer BRABA mesmo, retomamos contato, arregaçamos as mangas e decidimos de uma vez por todas fazer nosso tão adiado projeto juntos, o que seria é o de menos, sabíamos que com duas mentes tão bizarras juntas algo iria tomar forma logo, logo.
A única obrigação era que fosse o que fosse, deveria ser divertido de ler e escrever.

O livro Não há Descanso para Jimmy Cuttlas, surgiu disto, um faroeste com direito à homuncúlos bêbados, monstros do Mississipi, astronautas russos, xamãs mortos que se recusam a serem enterrados, balneáreos assombrados por criaturas antidiluvianas e três pistoleiros que vagam em camelos pelo oeste, se orientando pelas estrelas para matar um salvador.

Divertido de ler e de fazer, acreditem em mim.
Do personagem principal fiz a ilustração acima.

Fábio Ochôa

Quarta-feira, Maio 21, 2008

Propaganda




Exemplos de trabalhos feitos na agência. Texto e criação minha.
Fazia tempos que não postava nada dela aqui.

Fábio Ochôa

Terça-feira, Maio 20, 2008

E Mais Dois Trabalhos



Ilustrações avulsas.

Fábio Ochôa

Restos Pedagógicos


2 páginas de quadrinhos pedagógicos nunca utilizadas. Foram vetadas por um número de páginas que repentimente encolheu.
Estão cruas, foram deletadas do projeto antes que eu finalizasse elas (eu sempre começo a desenhar antes de ter o ok definitivo dos projetos, é um dos defeitos que mantenho).

Acho elas engraçadas, são de 2001.

Uma odisséia no espaço.

Fábio Ochôa

O Direito ao Mau Gosto

Uma das coisas que nunca pensei que um dia iria defender, é o direito de cada um exercer o seu mau gosto, pois é, a vida dá voltas...

Atualmente em qualquer conversa, uma das coisas mais chatas é a infinidade de opiniões querendo se sobrepor umas às outras, sintoma de épocas internéticas, onde de uma hora para outra todo mundo virou expert em tudo.

Nada contra experts, mas é um tal de todo mundo tentar lhe convencer que fulano é um bosta e deltrano é gênio, é cicrano é Deus, e quem pensa o contrário é um idiota, e é também tanta opinião influenciando antes que a gente veja qualquer coisa, que é dificílimo não seguir a onda e gostarmos de algo por nós mesmos.
Tá, mas onde é que entra o tal do mau gosto citado no título, nisto tudo? Bem, vamos ver um exemplo hipotético... E que tal o mundialmente malhado Paulo Coelho?

O nosso mago imortal e picareta é praticamente execrado –com provável justa causa- em qualquer conversa literária, pela pobreza franciscana de seus textos. O número de pessoas que apontam seus defeitos, chega a ser proporcional ao e ao número de pessoas que conheço que leram (e olha que são os únicos livros que leram na vida) e gostaram.

A principal questão é: Estão erradas em gostar? Ou em até mesmo em tirar alguma lição daquilo tudo, por mais rasa que seja? Existe alguma regra absoluta sobre o que as pessoas devem gostar ou desgostar? E onde é que entra o tal do livre-arbítrio nesta história toda?
A própria fronteira do bom e do mal gosto costuma oscilar de época para época. Jim Morrisson já foi considerado um gênio das letras, hoje, cada vez mais é considerado um bêbado de botequim por muitos fãs de rock.

Outro exemplo: não gosto do Led Zepellin. É uma baita banda e são ótimos no que fazem, isto não vou poder nunca negar, assim como não posso negar que simplesmente não gosto do som deles. Adoro ver Blade 2, acho um puta filme e me diverti pra cacete vendo Quarteto Fantástico 1 e 2, são filmes ruins? São. Posso escrever 50 páginas só detalhando os defeitos de cada um deles, mas o fato é... Me diverti vendo eles e realmente gostei de ambos. Ponto final. É meu direito.

Jamais vou escrever loas querendo justificar que gostei por causa disto e daquilo e que na verdade a caça ao vampiro é uma metáfora da intransigência da sociedade contra o blá, blá, blá... ou esconder sob o prisma do gosto-porque-é-trash-e-não-deve-ser-levado-a-sério, besteira, gosto mesmo e não é porque é trash.
Entra aí o tal do direito ao mau gosto.

Todo mundo tem uma opinião, e às vezes ela é uma coisa que não faz necessariamente lá muito sentido.

Fábio Ochôa

Segunda-feira, Maio 19, 2008

Frank Frazetta 05



Domingo, Maio 18, 2008

Frank Frazetta 04





Frank Frazetta 03





Todo mundo já sabe que acho o trabalho dele espetacular.
Mais coisas do Frazetta.

Fábio Ochôa

Segunda-feira, Março 17, 2008

Quanto vale um bom livro?

É difícil medir. É como saber se 300 reais vão virar aquela viagem onde você vai guardar memórias para vida toda, ou aquela entrada de 25 reais vai ser a garantia de encontrar aquela pessoa com quem passará longos e agradáveis meses.

O valor de tudo é relativo, tudo tem valor, nem sempre mensurável em dinheiro. Taí, está dita minha obviedade do dia, prometo maneirar nas próximas 23 horas.
Já comprei muita coisa, minha nerdice incurável me faz devorar filmes, gibis, revistas, livros, músicas, exposições, viagens, sempre atrás de alguma coisa nova, isso me faz pensar: mais do que meus bens materiais, (que sim, podem ser retirados de mim) as experiências que todas estas outras coisas me trouxeram, são apenas o que realmente tenho. O que é impossível de retirar de mim.

Uma bagagem de cultura, alimentada por alguma dose de imaginação. Um diálogo constante de idéias (modo bacana de dizer “nerdice incurável”).

Quanto vale um bom livro? Daqueles que trazem idéias e emoções que você carrega para a vida toda?
É como medir quanto vale uma boa conversa, ou ver aquela vizinha irritante e pentelha escorregar e cair de bunda no chão: não tem preço.

Fábio Ochôa

Nick Fury

Em um exemplo de masoquismo ou cara-dura extremada, mostro aqui este desenho logo após a enxurrada de Frank Frazettas.

Foi uma ilustração feita em momento ocioso (ou quando eu tinha mais deles, ô tempo que se foi) Nick Fury inspirado nas histórias de Márcio Sampayo para a Quadrim (www.quadrim.com.br, recomendado para quem gosta de hq).

Foi feito à lápis com uma das minhas primeiras pinturas arranhando o Photoshop.

Fábio Ochôa

Frank Frazetta 02




Frank Frazetta 01







































Volta e meia descubro um desenhista que me dá vontade de arrancar o braço direito ou virar pasteleiro.
Frank Frazetta, em atividade desde os anos 50, é um deles.

Preparem-se que vou abarrotar este blog de imagens dele, são desenhos e pinturas que dispensam palavras.

Raios.

Fábio Ochôa

Domingo, Fevereiro 17, 2008

Pequena crônica de Claudionor e sua sombra

Claudionor não gostava da própria sombra.
Era um sujeito pacato e quieto, isso já era motivo suficiente para desconfiar de sua sanidade.
Era também um bom amigo, sincero e atencioso, o que o classificava definitivamente como algo no mínimo fora do normal.
Falando dele e de sua sombra: era mais que um simples desgosto, era uma neurose que ele revelava apenas para os poucos amigos íntimos. Uma obsessão pessoal que o mundo não precisava saber e nem eu tampouco escreve-la aqui.
Nunca soube ao certo o que exatamente ele não gostava em sua sombra, talvez fosse algo no formato dela, na postura, ou ainda na forma das orelhas, no comportamento ao caminhar, ou talvez o todo, simplesmente o todo e como ela o lembrava de seu próprio corpo.
O que Claudionor sempre dizia é que ela fazia tudo que ele fazia.
“sim, mas sombras sempre fazem isto,e é por isso que elas são sombras”.
“esta é diferente”.
E geralmente a conversa acabava por aí.

O que ele defendia, sempre com veemência, é que sua sombra o imitava, e naquela imitação muda, debochava dele, da sua personalidade, do seu corpo, era uma caricatura, um arremedo proposital, escarnecendo ele em tempo integral, segundo as palavras do próprio (eu cheguei a mencionar que ele era um tanto melodramático?).
Explicar para Claudionor que sombras não fazem nada de propósito, elas são o que são, era um exercício completamente inútil.
“eu sei o que elas são, oh sim, eu sei o que elas são.” dizia ele e a conversa acabava por aí.
Quando ele corria, a sombra o acompanhava debochando de sua falta de jeito com uma mímica asqueirosa.
Quando ele comia, a sombra também assim o fazia, roubando sabor em cada garfada.
Quando abraçava, era a sombra quem acariciava as costas nuas.
Quando fazia sexo, era sua sombra quem melhor gozava.

“elas são feitas de vazio” era o que ele defendia.
“elas são pessoas sem substância, sem história, sem nada”
“o vácuo.” Dizia com olhos já bêbados e um tanto quanto filosóficos.
“é por isso que nos odeiam tanto, é por isso que riem com asco de nós”.
E logo então, fitando a garrafa, caía em um profundo silêncio.

“você se lembra dos Sombras?”
“o do gibi?”
Suspirava impaciente.
“se lembra do Faustão? Os que seguiam as pessoas?”
“ah sim, isso! O que que tem?”
“eles sabiam da verdade. Já olhou o que aconteceu com eles?”
Que eu me lembrasse, nada. O google também. E se não está no google, não existe.
“nada?”
“exatamente! Como se eles não existissem mais, você entende?”
Eu não entendia. E ri. O que nunca deveria ter feito.
A conversa acabou por aí.
A partir daquele dia.
Todas nossas conversas.
Houve um lamento da minha parte pela amizade perdida. Foi uma tristeza vaga que com os dias não tardou a ser esquecida, sepultada na memória, como a maioria das amizades perdidas, sendo lembrada apenas eventualmente e por poucos segundos de reflexão.
E assim a vida prosseguiu sem notícias de Claudionor.
Até o dia que ele resolveu se livrar da própria sombra.

Até onde pude apurar, foi em uma manhã de sábado outonal, não muito ensolarado.
Ele entrou em uma ferragem e dali saiu com duas latas de tintas, um pincel, arame, três pregos e uma tesoura.
O que ele realmente queria, eram os pregos e a tesoura, o resto, serviu apenas para que a sombra não suspeitasse de suas intenções.
Todas as compras foram feitas com cartão.
A segunda parte foi a espera.

Aconteceu na velha praça do conjunto habitacional onde vivemos.
Gosto de imaginar que isto teve algum significado, que talvez ele tenha ponderado onde tudo começou. O lugar que ele e sua sombra visitaram no passado.
O fato é que ele ficou sentado nos balanços o dia inteiro, com sua caixa de ferramentas à mão, esperando o momento solar certo.
Aos poucos, o sol se mexeu e sua sombra estava bem ao seu alcance.
Agachou-se bem devagar, como se estudasse algo demorado no solo, como se algum inseto detivesse sua atenção.
Apanhou a caixa de ferramentas.
A sombra o imitava, acentuando o exagero de seus gestos.
Apanhou o primeiro prego e devagar, o aproximou do reflexo negro de sua própria mão ao solo. Indefesa, nada podia fazer além de imitar o gesto (teria corrido ela, eu me pergunto? Se soubesse?) e em um único movimento veloz, cravou o mesmo na palma negra e plana estampada no solo. Afastou a própria mão, como se sentisse uma lancinante dor na palma e uma sensação de frio absoluto, uma reação automática.
Com uma mão presa, prender a outra mão da sombra ao chão foi relativamente fácil, rápido e eficiente, apanhou o outro prego, esperou a mão se espaldar e de novo, cravou o prego na palma da própria sombra, em um gesto impessoal e calculado.
Levantou-se e olhou a própria obra. Ali estava ela a se projetar de seus pés. Um Cristo plano preso de braços abertos na areia, esperando com a paciência dos condenados, por seu terceiro prego.
Foi nesta parte que entrou a tesoura.
Ela foi o objeto limpo que com ela, cortou a sombra que se projetava de seus próprios pés, como um etéreo cordão umbilical.
Foi um único corte e então estava livre, o parto de sua coisa odiosa, finalmente executado. Eram livres e separados: homem e sombra, para seguirem seus próprios caminhos.

Guardou os objetos dentro da caixa de ferramentas e sem pressa se afastou, não olhando para trás em momento algum. Deixou aquela imagem negra de crucificação presa nas areias que pertenceram ao passado, à espera de um incauto para assombrar, à espera de um sol devastador.
Depois daquele dia o frio se tornou um companheiro eterno a ele. Sem sombra a projetar, os raios solares atravessavam seu corpo indo se derramarem lânguidos no chão sob seus pés.
E não sendo captado pela luz, ninguém mais o viu.
Nunca mais.
Mesmo seus amigos, passaram a se lembrar dele vagamente, sempre vagamente.
Foi em uma manhã de sábado outonal, quando o homem caminhou sem sombra pela primeira vez, vestindo seu supremo anonimato.


Fábio Ochôa

Segunda-feira, Fevereiro 11, 2008

A Gente acha coisas estranhas por aí...


Encontrei estes desenhos nas minhas arrumações.
Bastante velho, não me lembro em que ocasião foi desenhado e nem mesmo porquê, muito provavelmente deve ter sido feita em alguma aula terrivelmente chata, onde eu cobria os cadernos de desenhos, a classe e conversava com a turma do fundão.
Devo ter sido um saco como aluno.

Fábio Ochôa

Sábado, Novembro 17, 2007

Fila de Banco

Lanterna Verde Asteca

Segunda-feira, Outubro 22, 2007

A Pulga


Pulga feita para um trabalho do Franco.
Acho legal este tipo de traço cartoom.

Fábio Ochôa

Quinta-feira, Outubro 18, 2007

Lib


Mascote criado para a Liber Ludo.
Gostei bastante dele, é uma das boas experiências feita com vetor, e adorei criar um gimmick desconfiado e levemente mal-humorado, longe daquele boooooooom humor e booooooooom mocismo que todos os gimmicks ostentam.

Fábio Ochôa

Segunda-feira, Outubro 15, 2007

Jane Calamidade


Meio Doris Day, Jane Calamidade... gostei desta personagem.

Fábio Ochôa

Não adianta, adoro gente feia...


Desenho à lápis de cor da banda gaúcha Cachorro Grande.
Sempre tive um imenso fascínio em desenhar gente feia, não sei por que cargas d´água... um rosto feio e bem característico me atrai muito mais que qualquer modelo de beleza.
Coisa que Freud explica.

Ou nem ele...

Fábio Ochôa

Sábado, Outubro 06, 2007

Pintura de Tarsila


Retrato ainda inacabado da Tarsila do Amaral feito no Painter.

E eu sigo me esforçando no programa...

Fábio Ochôa

Nosferatu


Minhas influências culturais são um catatau de coisas diferentes. O que veio a somar muito no fim das contas...
Aqui desenhei dois ícones da minha infância, o Nosferatu original, do filme de 1922, que me assusta e perturba até hoje com a atuação tétrica de Max Schreck e o monstrão Pulp Monstro da Lagoa Negra, das saudosas manhã do saudoso Sábado sci-fi do canal USA.
Bons tempos. Bons tempos.

Domingo, Agosto 26, 2007

Nomes que Matam a Pau

Acho que a parte mais difícil de escrever é bolar um bom nome.
Criar personagens? Tudo bem, divertido. Bolar a história? Legal. Imaginar ambientes, lógica interna, inserir metáforas e simbolismos, pensar na reação do público.... tudo se tira de letra... mas um bom nome, puta merda, é de deixar o pobre escriba penando noites em claro.

Tem alguns nomes que me chamam muito a atenção, talvez pelo inusitado, talvez por uma certa ressonância poética, enfim, eles se destacam na multidão.
Nomes como O Homem que Matou o Fascínora, Sob o Domínio do Mal, O Tambor, Meu Ódio será tua Herança, O Inquilino, O Bebê de Rosemary, Da Vida das Marionetes são nomes que fogem do óbvio, guardam certo mistério e ficam na minha cabeça, tem mais uma porrada de outros nomes, mas nenhum me ocorre agora.
Outro digno de nota é o do blog A Vida Mata a Pau!

Quando tenho que bolar um nome, sempre corro para o pitoresco. É minha tábua de salvação, daí sai coisas como O Coração de Zé Darci, Coisas para Fazer em um Domingo Chuvoso ou Simplesmente Sofia, A Estranha Morte de Yuri Grotcshenko e assim por diante.
Deste gosto pelo pitoresco também saem personagens como Boreira Machado, Simonal Quaresma, Samantha Prestes, Estrapanáceo, Yuri Grotcshenko, Ivan o Corcunda Caolho, Jeremias Brocoió, etc.
Nomes toscos são que nem a vida, matam a pau.

Fábio Ochôa

Quarta-feira, Junho 20, 2007

Guia do Ilustrador

Interessante como alguns profissionais resolveram se unir para dar uma mão àqueles que pretendem investir em um futuro como ilustrador. O Guia do Ilustrador é exatamente isso, uma junção de experiências e dicas para que qualquer profissional da área possa enriquecer sua bagagem, seja ele iniciante ou não.
Li o texto a pouco tempo quando estava pensando em como ser mais objetivo com meu futuro no desenho. Posso dizer que algumas idéias contidas nele já estavam surgindo em minha cabeça.

Vale a pena conferir.

Sexta-feira, Maio 25, 2007

Fim

fim

[Do lat. fine.]

Substantivo masculino.


1.
Momento em que se acaba ou se conclui alguma coisa; conclusão, termo final:
Tudo na vida tem um fim;

o fim de uma relação amorosa.


2.
Ponto além do qual não se pode prosseguir; extremo, limite:
Estava no fim de suas forças.


3.
A última parte de qualquer coisa:
Lia rápido para chegar ao fim do capítulo.




Tentei pensar em algo válido para encerrar este blog. Algumas palavras que pudessem soar ideais, que dessem algum sentimento ou dignidade à isto.
Não consegui.
Obrigado mesmo a todos que comentaram e cobraram atualizações, espero quando as coisas melhorarem ter novas histórias, contos, assuntos e desenhos para mostrar à vocês.

Um grande abraço a todos.

Fábio Ochôa

Sexta-feira, Maio 11, 2007

Revelação

300 estava no auge. Eu estava pra baixo.
Zapeava a televisão, fossa abissal, sabem como é, quando me deparo com um sujeito magro e desengonçado dando entrevista para MTV.
O tal sujeito me pareceu vagamente familiar. Vasculhando um pouco os arquivos inúteis de meu cérebro, não custei a identificar a aparição esquisita como Frank Miller.

Ele estava explicando a gênese de 300. Ainda estranho um pouco esta aura de, se não respeito, coisa cool que os quadrinhos adquiriram.

“antes de começar a escrever 300, fiz uma extensa pesquisa”, disparou ele.
Eu presto atenção.
Na tela Marina faz cara de aaaa-haaaannn...
Volta e meia eu também faço cara de aaaa-haaaannn.
Principalmente quando não estou interessado no assunto, mas ao mesmo tempo não quero passar por mal-educado.

“consultei vários autores de diferentes períodos históricos....e cheguei à uma conclusão...”
Revelação à vista. Me ajeito no sofá.
Suspense. Ele tomar ar. Faz pausa dramática.

“...desde o começo dos tempos... (faz cara de profundo, Marina faz cara de aaa-haaannn) o homem... mata... seu semelhante.”

Aaa-haaannn.
Baita pesquisa.

Fábio Ochôa

Terça-feira, Maio 08, 2007

Pois é sr. Gaiman...


No último fim-de-semana concluí a leitura do calhamaço de A Estação das Brumas.

Foi um tanto quanto broxante...me bateu aquela sensação de “ok, isso é um clássico dos quadrinhos? Porquê?”.

Sempre fui um leitor esporádico de Sandman, catando um exemplar aqui, outro ali, geralmente gostava do trabalho do Gaiman, embora desconfiasse que no fim das contas, após tanto blá-blá-blá, Sandman não passava de um gibi tão profundo quanto um pires.

Tive que ler dois encadernados para me certificar que é mesmo. Já apanhei vento por aí mais consistente que aquilo.

Neil Gaiman é cheio de boas idéias, mas peca feio no desenvolvimento delas, arrastando as sagas pra lá e pra cá e no fim das contas não chegando a lugar nenhum.

Todas as idéias boas e sacadas acabam ficando perdidas pelo meio do caminho, sem um desenvolvimento ou conclusão mais trabalhada. Talvez um exemplo bem claro disto seja o destino da Chave do Inferno em Estação das Brumas... simplesmente QUALQUER decisão que o autor tomasse, seria mais interessante –porém trabalhosa enquanto escritor- do que a que a história assume, Neil Gaiman joga a idéia de que tudo pode acontecer e quando é hora de chegar às vias de fato, dá uma saída pela direita no melhor espírito Leão da Montanha, finge que não é com ele e escolhe um final pra lá de preguiçoso e cômodo.
Mais broxante que levar a Natalie Portman pro motel e descobrir que ela é homem.
Escrever é correr riscos. As grandes histórias nascem daí.

Nem o fato de Sandman ser um redondo zero no quesito profundidade me incomoda.
Uma história pode ter por proposta apenas diversão e ser uma autêntica obra-prima em termos de arte, tá aí o Pato Donald do Carl Barks, Asterix, o Gaulês, Tintin, Lucky Luke, toda a obra do Jack Kirby, Blueberry nos bons tempos do Charlier, etc, etc, etc, que não me deixa mentir.

O que me incomoda é a autêntica obsessão de Neil Gaiman em querer a todo custo nos mostrar a cada página como ele é culto-profundo-inteligente-erudito-etc-coisa-e-tal, então dá-lhe citação a poetas obscuros ingleses do século XVIII em cada página (mesmo que isso não acrescente NADA ao diálogo ou à história em si) , dá-lhe referências obscuras de ocultismo e cultura pop do século XX, dá-lhe ápices da profundidade PauloCoelhanas como “um lugar que não é um lugar, em um espaço que não é o espaço” jogados pelas páginas.

No meio disto tudo ele acaba esquecendo que o que realmente importa é contar uma boa história... erudição vazia é mero exibicionismo e não serve para nada.

Alguém já parou para refletir no que que realmente muda sua vida ou sua visão de mundo descobrir que Odin é também chamado de Wotan, ou coisa que o valha?

Saudades recente de gente como Alan Moore, Ray Bradbury, Paul Chadwick e Bill Watterson... podem não ser tão moderninhos e não ter tantos fãs, mas sabem divertir, surpreender e fazer pensar e repensar a nossa própria vida como ninguém.

Sem precisar de um caminhão de referências para isto.


Fábio Ochôa

Sexta-feira, Abril 13, 2007

Sobras completas vol.7



Material feito pra Monsanto Brasil.
Bons tempos.

Gostei muito destes personagens.


Fábio Ochôa

Sobras completas vol.6



Fábio Ochôa

Sobras completas vol.5




Fábio Ochôa

Sobras completas vol.4



Anúncios de jornal. Texto e idéias minhas.

Fábio Ochôa

Sobras completas vol.3



Uma Elis e Yolanda Pop-Art e o elefantinho.

Pode parecer cafona, mas gosto horrores desse desenho.

Fábio Ochôa

Sobras completas Vol.2



Desenhos para um anúncio de Páscoa, narrando particularidades da data.

Até que ficaram legais.

Fábio Ochôa

Sobras completas. vol.1



Muitos artistas tem obras completas. Eu tenho sobras completas (entenderam o trocadilho? ahn? ahn? Roubei do Angeli).

Aqui são retratos de mulheres que mudaram o mundo, a idéia foi fazer uma fusão entre retratos antigos e traço de cartum.

Foi rejeitado. Dammit.

Fábio Ochôa

Segunda-feira, Abril 02, 2007

Os Pontos Finais

Nunca sei o que dizer nos finais. Sou péssimo nisto.
A tentativa é que sempre saia algo neutro, consolador, sensato e sábio.
É o pior a fazer, ninguém cai nessas.

Palavras sempre acabam resvalando na inutilidade, é muito fácil, uma distração e elas são inúteis.
Palavras são simulacros, um eco de idéias e sentimentos, facilmente deturpáveis. São a abstração das coisas da vida, um conceito racional.
São a imitação, a racionalização da vida.

"desculpe" e "sinto muito" são palavras velhas e aleijadas. Não servem para finais.
Perderam o seu significado de tão banalizadas.
Não consegui pensar em nada melhor.

Novas palavras tem que ser inventadas para registrar as coisas mais profundas com eficácia. Ou antigas palavras serem redescobertas. Palavras virgens ainda.
Estas que existem não são mais suficiente.

Existem palavras mais adequadas, não sei se a quem interessa vai ler tudo isto ou não.

Foi bom enquanto durou.
Mesmo.

Eu deveria ter dito só isto em vez de pilhas de palavra.

Fábio Ochôa

Sábado, Março 03, 2007

Piratices de Carnaval




O carnaval tá aí, com toda a cota anual de barulheira, bebedeira, mau-gosto e bêbados urinando na porta de sua casa! É a festa do povo! Ê vidão!



Como se não me bastassem os 4 dias de folia, ainda fico sozinho e sem dinheiro, para deixar o meu buraco ainda mais embaixo! Ê skindô! Skindô! Coisa bonita, gente!



Não teve jeito. Meu sumiço de 4 dias do mundo exterior teve que ser via classe econômica mesmo. DVD’s locados, atualizar a leitura da pilha de livros e revistas que não pára de crescer, tocar projetos atrasados e estocar todo tipo de porcaria que um ser humano possa comer! É festa gente! Ê bundalelê! Skindô! Skindô! Coisa linda!



Acabei pegando três filmes sobre piratas. Não foi proposital.



Notei a coincidência quando cheguei em casa, isso pode significar duas coisas: que a sincronicidade existe e que meus níveis de distração estão ficando alarmantes.
Bumbum praticumbum ziriguidum! O nosso samba minha gente é esse aí! Olê! Olá!
Vamos aos filmes então:



Piratas do Caribe 2-



Eu estava disposto a falar mal do filme. A dizer que o sucesso estragou a franquia, que os personagens e o roteiro não estão tão fluídos e naturais quanto no anterior, que a história apresenta rombos abissais de lógica e blá,blá,blá... porém, depois de ver a cara da Sheira Knightley pasma vendo três piratas duelando em cima de uma roda de moinho girando pela floresta, desisti de qualquer crítica.
Piratas do Caribe é divertido pra cacete. Ponto final. É o Indiana Jones desta geração atual e vai deixar saudades.
Três garrafas de rum para eles, pelas risadas garantidas.



Piratas-
Filme do Roman Polanski feito na fase em que ele já não apitava tanto.
Filme bem distante dos seus melhores momentos, como o Bebê de Rosemary, Dança dos Vampiros, O Inquilino, etc, etc, etc... mas também muito melhor que bombas como Lua de Fel e Busca Frenética.
Piratas é divertido por extrapolar todos os limites da grosseria e sujeira humana em celulóide, neste quesito só perde para Feios, Sujos e Malvados, clássico do Ettore Scola, feio, sujo e malvado até no nome, só faltou o genial para completar.
Mas Piratas não fica muito atrás.
Walter Matthau como o sacana, perverso, porco e azarado Capitão Red rouba a cena cada vez que aparece –felizmente ele aparece o filme inteiro – e esqueçam Keith Richards, Capitão Red sim é o verdadeiro pai de Jack Sparrow.
Leva três garrafas de rum pela diversão garantida – desde que você tenha espírito e estômago de porco, claro – e mais um pernil, senão o Capitão Red morde meu pé.
Recomendado.



A última piratice foi Hook- A volta do Capitão Gancho, de Steven Spielberg. Grande filme, embora bem longe do potencial do diretor.
O grande trunfo acaba sendo a história, bonita e criativa, em vez da direção, que erra feio a mão em vários momentos e acaba caindo em um sentimentalismo artificial e barato.
Ainda assim, é um filme de Spielberg e ele pertence àquela raça rara de diretores como Stanley Kubrick e Martin Scorcese, que até em momentos menos inspirados são sempre cinema acima da média.
E Dustin Hoffman está perfeito como Capitão Gancho.
Bom filme que teve potencial para ser obra-prima. Leva duas garrafas de rum e meia, e sem álcool porque o filme é do Spielberg.



E para finalizar, ainda vi alguns episódios perdidos de Lost, primeira temporada.
Se passa em uma ilha e o DVD era pirata.
Vinte e oito garrafas de rum para quem me revelar os segredos daquela ilhota ma-ca-bra.



Fábio Ochôa

Quinta-feira, Janeiro 25, 2007

O Livro dos Fatos

Há já algum tempo comprei o Livro dos Fatos, de Isaac Azimov.
Este livro na verdade era um compêndio de fatos estranhos e/ou curiosos que alimentava sua imaginação de escritor.
Achei legal, eu também tinha em minha casa um vasto arquivo de curiosidades, sem fim específico, esperando pacientemente a chance de virar histórias algum dia.
Imagino que todo mundo que lida com texto tenha seu próprio livro dos fatos particular.

Revisitando estas curiosidades que eu guardo, algumas das coisas que mantenho nesta caixa de inutilidades que chamo de cabeça:

A Fome-

Uma das coisas que sempre me impressiona é a mecânica dos corpos, máquinas orgânicas que se aproximam da forma mais louca e perfeita de arte.

É o tipo de coisa que quase faz com que eu acredite em um Deus projetista, esta perfeição tão intrincada que é impossível ser só obra do acaso.
Dentre todos seus fenômenos, uma das coisas que acho interessante é como funciona a fome.

Na falta de alimentos para gerar energia, o corpo consome a gordura disponível no corpo, na falta de gordura, principia a devorar os músculos.
Na falta de alimentos o corpo humano devora a si mesmo.
Sempre achei interessante este conceito.

A rosa de Times Square-

Em plena Times Square, símbolo dos símbolos da civilização brutal ocidental, no meio das multidões e da poluição, nasceu uma rosa no concreto da calçada.
Apesar de todas as adversidades.
Segundo meus cálculos dá para fazer pelo menos umas 287 metáforas quanto a isso.

As sombras de Hiroshima-

As pessoas desintegradas na explosão de Hiroshima.
A única marca que deixaram foram seus contornos, tatuados nas paredes.
Sombras nas paredes.
Sombras mortas nas paredes.

Funeral haitiano-

No Haiti, os funerais são verdadeiras festas. O morto fica no centro da sala, o lugar de honra, sentado em sua cadeira favorita, todos os convidados conversam, riem, apertam sua mão, relembram fatos bons que tenham vivido, oferecem os melhores cigarros para o morto, bolos e contam histórias alegres para ele.

É uma festa de despedida, no sentido mais singelo que ela possa ter, a despeito de toda a bizarria que impere pela cena.

Acabado isto, fazem vigília por três dias, armados no túmulo do morto, para impedir que o ele vire zumbi nas mãos de hougans rivais da família.


A matéria-prima da gelatina vêm dos bois-

Essa eu quase caí duro quando li na Super-Interessante.
Pois é, a inocente gelatina que cansei de comer quando garoto vêm dos restos do boi ressecado.
Pelos meus cálculos protagonizei um autêntico genocídio bovino na infância.
Difícil vai ser dormir com tantos mugidos na minha consciência.

Campos de concentração americanos-

Durante a Segunda Guerra Mundial foram criados campos de concentrações na América, para “abrigar” descendentes de asiáticos e subversivos em geral.
Este sempre foi um assunto que muito me interessou, porém, a dificuldade de achar dados sobre isto é imensa.
É um terreno pantanoso onde ninguém quer pisar.

Alguns entre centenas de fatos do meu Livro dos Fatos particular.

Fábio Ochôa

Terça-feira, Janeiro 23, 2007

Vai um mangá aí?






Leitor de hq é uma raça lastimável, falo com propriedade e conhecimento de causa, sou um deles.

No meu tempo de criança eram os marvetes contra os DCnautas – e os saudosistas derramam uma lágrima de emoção – e ambas as facções torcendo o nariz para Disney e Mônica, como se marombados superpoderosos vestindo colantes fosse lá uma coisa muito madura, na minha adolescência, era a os fãs de material europeu e Vertigo contra os super-heróis, cresci e vejo os fãs de mangá contra os fãs de comics, e vice-versa.

É o bom e velho preconceito fazendo meio mundo perder boas histórias. Fazer o que
Poderia fazer um discurso dizendo que não existe bons e maus estilos de fazer hq, mas sim bons e maus autores, mas acho que sensatez intoxica. Fiquemos quietos.

Todo este preâmbulo vasto foi só pra dizer que algumas das coisas mais legais que li nos últimos tempo foram mangás.
O que exatamente uma coisa tem a ver com a outra, não sei. Estou ficando velho e esclerosado.
Vamos aos mangás então:


O Vampiro que Ri-

Esta foi uma das grandes surpresas do ano.
Não estava lá muito a fim de ler, sempre tenho um desconfiômetro imenso com as “revelações” do underground, talvez tanto quanto eu tenho com os produtos da mídia mainstrean.
Geralmente as obras underground sempre ecoam um grande vazio, embalados em uma banalização gratuita do choque, do sexo e da violência.
Antes que algum defensor aguerrido do underground resolva pendurar minhas bolas na ponta de uma lança, já aviso que estou generalizando.

Voltando à história, Vampiro que Ri é chocante, sim, não vou perder meu tempo falando que o autor quis fazer uma crítica à decadência da sociedade moderna e blá-blá-blá-blá-blá, até porque acho que a história realmente não tem nenhuma mensagem por trás de seu nilismo.

Mas, além da brutalidade, o que me fascinou nela foi seu clima estranho, onírico, indefinível... a mesma sensação que tenho ao ver Nosferatu sair das sombras... aquela coisa de pesadelo subconsciente que ficou da infância... a mesma sensação que tenho ao ouvir algumas músicas do Pink Floyd... aquele algo indefinível, pesado, que escapa às palavras.
Mas sempre fascinante.
Aquela coisa que só as obras de arte tem.

A leitura é difícil, vão ser poucos que vão conseguir ficar confortáveis com bebês sendo usados para preencher uma banheira cheia de sangue, ou um ato de masturbação envolvendo um dedo decepado, mas a história vale a pena, desde que você não seja perturbado ou idiota o suficiente para se influenciar por ela.
Me pergunto o que levou a Conrad a publicar este livro, um prato para poucos paladares. Uma aposta arriscada, mas que acabou vingando.
Prova de visão e ousadia, coisa rara em nosso mercado editorial.

Não deixa de ser curioso notar que todos os quadrinhos-underground-marginais-do-mal-contra-este-sistema-decadente-podre-capitalista, sempre vêm em formato luxuoso e caros pra cacete.

Sandland-

Akira Toriyama é legal. Dói, mas admiti.
A primeira coisa que li dele foi Dragon Ball, com a nobre missão de coletar material para falar mal com base, porém, acabei gostando da história, o que aliás quase me fez procurar ajuda profissional ou terapia com drogas.
Depois veio Dr. Slump, que é cientificamente impossível de não gostar.

Em Sandland, Toriyama conta uma história que mistura um deserto, demônios e um velho soldado dentro de um tanque de guerra atrás de uma fonte lendária com toda aquela dose de bizarria nonsense e bom-humor ingênuo na qual Toryama é mestre.

Ele consegue me lembrar a um só tempo o gênio de Carl Barks, o clima de Asterix, o gaulês (o dos bons tempos), as saudosas Heróis da TV da minha infância e os gibis da Luluzinha –outro gibi que eu adoro, notaram como eu estou auto-confessional hoje?-.
Leitura leve e pra lá de recomendada. Genial à sua maneira.

E pensar que toda a história só surgiu por que ele queria desenhar tanques...

Uzumaki-

Chegamos então ao último e não menos bizonho mangá da lista: Uzumaki.

Pra resumir a questão, este foi o único gibi que fiquei receoso de virar a página, tamanho o grau de desconforto que ele gera.
Digamos que não são lá muitas pessoas que vão ficar confortáveis com a visão de um bebê sendo costurado de volta dentro da barriga da sua mãe.
Japonês quando resolve ser doentio, sai de baixo (nada pessoal, Carol).

A história não faz lá muito sentido (ok, não faz sentido nenhum) mas tem um clima assombroso e imperdível, forte como a muito tempo não via (exceção solene: O Vampiro que Ri, não por acaso, de outro tarado nipônico).

Como se não bastasse tudo isto, ainda descobri que Uzumaki virou filme no Japão.
Fiquei querendo ver, embora não sei se meu estômago está preparado para ver bebês costurados, grávidas bebendo sangue de doentes (com direito a furadeira no pescoço), homens-caracóis e meninas com buracos na cabeça, onde os olhos rolam soltos.
Ê povinho creepy.
Yeach!

Fábio Ochôa

Segunda-feira, Janeiro 22, 2007

David Lynch salva o mundo

Volta e meia eu fico, como diria a Fabi, “carboizado”com as coisas – tradução para meus leitores: Carboizado, do dicionário de gírias esdrúxulas entre duas pessoas: estupefato, tanto que se fica em estado de choque bovino, boi, carbonizado, de puro espanto, entendeu? Não? Nem eu. – Voltando a fita: volta e meia me deparo com fatos que me deixam carboizado com as pessoas, com a vida, com o mundo.

Minha última carboização ocorreu há poucos dias, sendo mais específico, com a bondade extrema dos astros hollywoodianos.

Desta vez, o homem que se pronunciou para ajudar as pessoas deste nosso mundão tão castigado foi David Lynch, diretor de Veludo Azul, O Homem-Elefante, Coração Selvagem e outras bizarrias boas ou nem tanto, que declarou ter um plano infalível para salvar o mundo, quiçá, o universo!
Atentem para a genialidade sutil que atravessa a mente deste homem: Lynch se propôs a fundar templos de meditação, onde meditantes (esta palavra existe?) assalariados vão enviar tantas energias positivas ao mundo que em breve estaremos entrando em alguma era de aquárius ou algo do gênero.

Que legal da parte dele. De tão comovido já enviei meus restos da janta de ontem e o que sobrou do meu salário do mês –segundo meus cálculos, exatamente R$ 1,65- para contribuir com a nobre causa.
Lynch, o homem que quer pacificar o mundo através da meditação, explica que seu nada ambicioso projeto – isto foi ironia - consiste em construir sete palácios de paz ao redor do mundo, tendo em cada um deles 8.000 pessoas pagas para meditar pela paz universal.

Ele já levantou 1 milhão de dólares para o projeto, que terá um custo total de 7 bilhões de dólares.

Nestas horas eu me sinto tãããão normal...

Fábio Ochôa

Vê só...

Em época de pirataria comendo solta, chega uma notícia muito curiosa.

Cansado de vender CD por tabela em camelô, Ralf, da dupla sertaneja Christian & Ralf resolveu chutar o baldinho, arregaçar as mangas, colocar o Chapéu Pensador, vestir uma camiseta escrita “Gente que Faz” e combater a pirataria pessoalmente.
No melhor espírito Professor Pardal, o cantor/inventor, criou uma alternativa ao CD, um modelo idêntico porém mais barato, o SMD.

O novo modelo, com o CD já pronto e gravado, tem um custo final mais barato que um CD virgem, podendo então competir com o preço dos camelôs.
Parece uma saída bem razoável e inteligente.

As gravadoras, obviamente, já afirmaram que não vão aderir a este novo formato.

Fazer o que?


Fábio Ochôa

Sexta-feira, Janeiro 19, 2007

Pelo fim da cornalização

Aqui, no topo dos meus 26 anos, me considerava um sobrevivente.

Sobrevivi à propagação da AIDS nos anos 80, sobrevivi à propagação da miséria nos anos 90, contudo, apesar de todo este histórico e pedigree, acho que não conseguirei escapar ileso deste começo de novo milênio.
Existe uma nova epidemia se alastrando por aí, e não adianta usar camisinha, fazer figa, tomar Bezetacil ...tudo inútil, estamos totalmente expostos à ela: a propagação da Corno Music!

Com base nos hits musicais dos últimos dez anos, posso afirmar sem medo de errar que esta geração de cantores deve ser a mais incompetente no trato com o sexo oposto nos últimos 50 anos, pelo menos.
Faça um cálculo rápido: quantas músicas você ouviu nesta última década que tivesse pelo menos um verso com coisas como você me deixou / sinto sua falta / minha cama está vazia sem você / volta pra mim / e coisas do gênero.
Centenas? Milhares? Se você for ouvinte de FM, possivelmente dezenas de milhares! Haja chifre queimado!

O que houve com a geração espadaúda da música brasileira? Cadê os sucessores de Chico Buarque, Waldick Soriano e Wando? Homens que mostravam a cobra e matavam o pau (ou algo parecido) quando o assunto era mulher?Será possível que com tanta mulher que eles carcaram em vida, não conseguiram espalhar seus descendentes por aí?
Será possível que só o Odair José conseguiu crescer e se multiplicar?
Será? Será?

E dá-lhe sertanejo chorando chifre, dá-lhe pagodeiro chorando chifre, dá-lhe roqueiro chorando chifre, dá-lhe disco inteiro chorando pé na bunda, você entra no ônibus, guampa! Liga o rádio, guampa! Chega no serviço, guampa! Liga a TV na casa da namorada, guampa! Meu Deus, se eu gostasse de guampa iria trabalhar em fábrica de cuia! Alguém pare o mundo que eu quero descer!

Se isso fosse apenas um chifrudo malefício local, ainda teria esperança na contenção da epidemia, mas a praga do chifre atinge proporções globais (música de suspense: tcharããããã!!!).
Pense no Creed, no Radiohead, pior, pense nas 368 bandas emocore que surgiram nos últimos meses (não vou citar nomes porque não nasci com a fantástica habilidade de diferenciar uma da outra).
O que anda gerando este estranho fenômeno? As modernas comidas industrializadas? A poluição? O efeito estufa? O novo Papa? Tudo isto junto? Não sei... não sei...
Imagino as gerações futuras - todos portando seus belos cornos na testa - estudando esta época nas escolas e chegando à conclusão que, mais que a era da globalização, esta foi na verdade a era da cornalização.

Existem algumas curas para este mal – nem um pouco recomendáveis, devo afirmar - como por exemplo, só ouvir funk carioca.
É um tratamento radical, eu sei, pode matar ou deixar graves seqüelas nos que sobreviverem, como por exemplo o impulso irresistível de mexer a bunda toda hora na famosa posição da motinho.
Conheço casos de várias famílias que foram destruídas por este tratamento. É mais ou menos o equivalente à decapitação para se livrar de piolhos.
Muito pouco recomendado.

Guampas são um grande mal: são esteticamente feias, fazem mal para o pescoço e a coluna, engancham em fios e portas, fazem o portador ser vítimas de piadas maldosas, dificultam o uso de chapéu ou boné e como se não bastassem tudo isto, ainda são a matéria-prima da Corno Music.
Combata este mal. Encerro estas linhas extensas com um apelo:
Caro amigo, restaure a imagem do macho nacional. Diga não à cornalização!
Ouça Waldick Soriano.

Fábio Ochôa

Domingo, Janeiro 07, 2007

Ano novo, ano novo...

Mais um Natal se foi, mais um ano no calendário.
Menos decorado e com menos sentimento, ainda assim, outro ano que se foi, com toda sua carga de promessas e dever à computar.
Uma passagem com ares de ritual vazio, de sentimento escoado.
Fellini disse uma vez que nada é mais triste que um ritual isento de seu significado. Concordo com ele.

O que resta são as velhas listas de fim-de-ano, isso sim, imutável, a contabilidade entre o que se prometeu e o que se cumpriu (geralmente nada).
Fica a vontade de no ano que vem ser melhor. O espírito de renovação, ainda que dure pouco é uma coisa bonita.
Acho que mesmo pode ser dito da existência humana. É bonito e dura pouco.

Você conhece o guião básico. Novos acertos e erros. Nova tentativa de ser e fazer melhor.
Bonito. Espero que o espírito permaneça assim por 365 dias e não apenas 1.
Eu sei que é difícil.

Feliz novo dia 15 de janeiro.
Mude o que não gosta e faça a diferença.

Fábio Ochôa

Auto-retrato


Auto-retrato meu, tirado com estas câmeras modernas.

Fábio Ochôa

Arrowsmith



Nestas férias de ano-novo acabei assistindo ao blockbuster do ano, repleto daquela mistura rara de emoção, ação, inteligência, criatividade e efeitos especiais.
Pena que o tal blockbuster era apenas uma revista em quadrinhos chamada Arrowsmith, mas que seria o filme do ano em uma produção caprichada, isso é impossível não pensar.

Arrowsmith se passa em um mundo onde a magia é real e palpável, situada em 1915, em plena Primeira Guerra Mundial, onde balas e gás mostarda convivem com dragões, homúnculos, gárgulas e feiticeiros.
Um cenário que poderia render uma obra instigante ou um RPG meia-boca nas mãos de um roteirista nerd incompetente.
Felizmente estamos falando aqui de Kurt Busiek, nerd ele é, mas com um talento insuspeito para emocionar.

Aproveitando, faço os justos agradecimentos ao Bruno Jesus pelo empréstimo da dita obra, impedindo (ou apenas adiando) o sacrifício de 40 reais meus aos deuses do enterternimento.

Kurt Busiek é possivelmente um dos autores de mais subestimados dos últimos 15 anos. Para mim, ele geralmente fica no meio do caminho, suas obras tem grande idéias, mas sempre falta algo na realização, parecendo que ele não utiliza as idéias em todo seu potencial.
Mas coisas como Marvels e Identidade Secreta são simplesmente tocantes, ficando entre as melhores coisas que já li.
Voltando à Arrowsmith, a série conta com os desenhos de Carlos Pacheco, um dos melhores desenhistas de hq da atualidade, coisa que só colabora para a qualidade da edição.
É uma história sobre perda da inocência e crescimento durante a guerra. Você já leu e viu coisas iguais, mas Busiek e Pacheco fazem parte daquele seleto time de narradores que pegam uma velha história e consegue lhe apresentar tão maravilhosa como se fosse a primeira vez.

Fábio Ochôa

Os Aspones

Tinha visto um ou dois episódios da série na sua estréia em 2004. Achei interessante o conceito, mas ela acabou relegada a aquele tipo de coisa que eu só via quando tinha muito tempo sobrando.
Acho que em parte porque ela era da Fernanda Young, tenho um preconceito estranho e inexplicado quanto a tudo que ela faz, coisa que nem Freud explica.
Mas, tem que se considerar que é preciso MUITO esforço para uma série com Selton Mello, Pedro Paulo Rangel, Marisa Orth e Andrea Beltrão ser ruim.
E Aspones não é ruim.
Longe disso.

Aluguei o DVD da primeira - e única- temporada neste fim-de-semana, foi ótimo redescobrir a série, serviu para umas boas risadas e elevar meu nível geralmente alto de bom humor.

Fica a recomendação.

Fábio Ochôa